Professores interditam rodovia Helio Smidt

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Cerca de 150 professores grevistas da rede estadual de Educação interditaram a rodovia Helio Smidt em mais um protesto realizado no início da tarde de ontem. A manifestação que causou lentidão na pista sentido aeroporto e na rodovia Presidente Dutra foi iniciada com um ato pacífico na área de desembarque do Terminal 2.

Munidos com faixas e cartazes, os servidores do estado bloquearam o trecho Terminal 1 da rodovia por aproximadamente 30 minutos e impediram que motoristas tivessem acesso ao Aeroporto. A GRU Airport que administra o trecho, não contabilizou os quilômetros de lentidão. O ato também foi refletido na via Dutra que apresentou um congestionamento de 5 km na pista marginal sentido Rio de Janeiro, apontado pela CCR.

A paralisação aderida por cerca de 40% dos professores de Guarulhos e região entra hoje em seu 46° dia. “O governo ainda não nos apresentou nenhum tipo de proposta real e dizem que no momento não podem fazer nada. A postura adotada por eles mostra que não querem resolver esse problema”, disse o diretor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) regional Guarulhos, Ézio Expedito Ferreira.

Minutos antes de interditarem a rodovia, os manifestantes se concentraram no desembarque do Terminal 2 onde permaneceram em reunião por uma hora. “Escolhemos o Aeroporto por ser uma referência brasileira e em apoio aos colegas de outros estados que também estão em greve”, explica Ézio.

 

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A próxima tentativa de acordo entre o Estado e seus servidores está prevista para p dia 13 de maio, quando a paralisação completa a nove semanas. “Não se trata apenas de aumento salarial, mas melhorias nas condições de trabalho. Serão quase 60 dias parados e o governo não está preocupado com os alunos que estão fora das salas de aula”, comenta a professora Cristina Lopes.

De acordo com a Gru Airport, nenhuma operação do aeroporto foi prejudicada em decorrência dos atos.

Simultaneamente as manifestações de Guarulhos, representantes da classe em vários estados brasileiros também protestaram por suas reivindicações.

 

Confusão e acidente deram o tom do protesto

 

O ato na rodovia causou indignação das pessoas que tentavam chegar até o aeroporto. Na tentativa de furar o bloqueio, muitos motoristas ameaçaram avançar com os veículos para cima dos manifestantes e outros desceram dos automóveis na esperança de um acordo.

Uma gestante que teve o carro parado passou mal e foi liberada. Outros não tiveram a mesma sorte. “É um absurdo interditar o acesso ao aeroporto, que nada tem a ver com as reivindicações deles. Protestar é um direito, é democracia, mas deve ser feito no lugar correto e sem prejudicar terceiros. Centenas de pessoas podem perder o voo hoje, inclusive eu”, indaga o empresário Antonio Carlos Vasconcellos.

Após parte da pista ser liberada com o auxilio das Polícias Militares, Rodoviária Federal e da Segurança da GRU Airport, alguns motoristas seguiram em alta velocidade, o que resultou em um acidente que evolveu três veículos. A colisão entre uma Ecosport, um Pálio e uma Amarok aconteceu na alça de acesso ao hotel Pulman, próximo ao viaduto. Apesar dos estragos, ninguém ficou ferido.

 

Posicionamento do governo estadual

 

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado afirma que a greve é de baixa adesão mantida por uma única entidade, mas que prejudica pais e estudantes. A pasta acrescenta que já foram apresentadas pelo menos três propostas às suas lideranças: política salarial pelos próximos quatro anos com data base em 1º de julho e envio de leis à Assembleia Legislativa que inclui os professores temporários na rede de atendimento do Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual) e reduz de 200 para 40 dias o intervalo a partir do terceiro contrato destes docentes (duzentena).

 

Fonte: Guarulhos Hoje