Fábricas de azeite são interditadas em Guarulhos por fraude

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A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo interditou uma fábrica em Guarulhos, além de outas quatro na Grande São Paulo e do litoral sul paulista, que comercializavam óleo de soja ou óleo misto como se fosse azeite de oliva virgem ou extra virgem.

 

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Segundo a secretaria, análises comprovaram que os produtos eram óleo de soja, e não azeite virgem ou extra virgem, como informava as embalagens. A inspeção começou quando a Vigilância foi analisar uma denúncia sobre a empresa Olivenza Indústria de Alimentos, localizada em Mongaguá, litoral sul de São Paulo. A empresa produz as marcas Torre de Quintela, Malaguenza, Olivenza, Oliveira D’ouro, Estrela da Beira e Coliseu.

 

Além da fraude, foi constatado o descumprimento dos requisitos mínimos de boas práticas de fabricação de alimentos, que culminou com a interdição total do estabelecimento.

 

A partir da interdição, a Vigilância Sanitária inspecionou outras cinco fábricas em São Paulo – Natura Óleos Vegetais e Alimentos, em Cajamar, Olima Indústria de Alimentos, em Itaquaquecetuba, Paladar Importação Comércio e Representação de Produtos Alimentícios e La Famiglia Alimentos, ambas de Santana do Parnaíba, e Super Via Distribuidora de Alimentos e Transportes, em Guarulhos.

 

Além do óleo, foram interditados outros produtos das fábricas para o consumo em razão de irregularidades na linha de produção verificadas pela Vigilância Sanitária Estadual. Os produtos comercializados pelas empresas incluem palmitos em conserva, azeitonas, champignon molhos, geleias, frutas em calda e condimentos, entre outros.

 

Ainda segundo a Secretaria, foi constatado que os produtos eram fabricados sem as mínimas condições de Boas Práticas de Fabricação, não havia nenhum procedimento que garantisse a rastreabilidade e qualidade das matérias-primas e sequer havia equipamentos adequados para assegurar que a quantidade de mistura entre óleo e azeite era, efetivamente, a indicada nos rótulos.

 

Além das irregularidades apontadas, os estabelecimentos ainda importavam azeite de oliva virgem do tipo lampante, que é impróprio para consumo, e não havia nenhuma evidência de que providenciassem o refino antes da utilização, como manda a lei. Também se constataram casos em que o refino era feito em indústrias não licenciadas pela vigilância sanitária.

 

Outros nove estabelecimentos produtores de azeite no Estado de São Paulo ainda serão vistoriados pela vigilância.

 

Outro lado

 

A Olivenza, que também é fabricante do óleo composta da marca Olivamar, informou que prestou esclarecimentos à Vigilância Sanitária sobre toda a linha de produtos. “A Olivenza hoje é a primeira empresa do mercado brasileiro a estar fabricando seus produtos em conformidade a legislação pertinente”.

 

Segundo a secretaria, as fábricas da Olivenza, Natural e Olima se adequaram às regras depois da inspeção e foram desinterditadas pelo órgão paulista. Os lotes dos produtos fabricados antes das adaptações, no entanto, não voltaram ao mercado. Segundo a Secretaria de Saúde, as três empresas se comprometeram a não usar mais a palavra “azeite” nos rótulos e sim “óleo composto”.

 

A Paladar afirmou que cumpre todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização dos alimentos e repudia práticas de adulteração dos produtos.

 

A Natural Alimentos afirmou que desde fevereiro de 2017 não comercializa o azeite de oliva extra virgem, virgem e tipo único Lisboa. “Essa decisão foi tomada por distorções de qualidade nos produtos importados, desde então, a empresa só fabrica óleo misto”.

 

A empresa ainda disse que passou por adequações nas documentações e recebeu orientações do órgão regulador sobre o produto fabricado no final do mês de maio.

 

A Super Via Distribuidora de Alimentos e Transportes confirmou que comercializa o óleo de soja em atacado. “Quanto às exigências da Vigilância Sanitária estamos nos adequando a fim de atender no prazo legal”.

 

O Grupo Pão de Açúcar, proprietário da marca Qualitá, disse por meio de sua assessoria que a Secretaria da Saúde considerou a fábrica da empresa e o rótulo adequados, e que espera o resultado da análise dos produtos para se manifestar sobre o assunto.

 

La Famiglia Alimentos e Ondolina não retornaram o contato até o fechamento da matéria.

 

Fonte: Click Guarulhos