Dança Cigana no Teatro Padre Bento

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Graça e leveza. Técnica e exatidão. A dança encanta por inúmeros motivos: para aqueles que a assistem, aguça os sentidos; para quem a pratica, ela se apresenta como uma opção saudável de atividade esportiva, cujos benefícios fazem bem à mente, ao corpo e à alma.

 

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Professora Silvia Hortolani durante ensaios Foto: Fabio Nunes Teixeira – PMG

Com o objetivo de resgatar a autoestima das praticantes e proporcionar uma atividade física embalada por ritmos gostosos e envolventes, o Teatro Padre Bento, no Jardim Tranquilidade, oferece o curso de Dança Cigana, encontros que acontecem às segundas e quartas-feiras, das 14h às 15h30.

 

No diversificado grupo da professora Silvia Hortolani, que começou os ensaios no ano passado na Casa da Mulher Clara Maria IV, as participantes têm entre 30 e 73 anos e contam histórias bastante tocantes.

 

Mulheres que se descobriram ainda mais belas

 

Elas representam umas para as outras tudo o que mais precisam para sobreviver: “Somos uma família”, sorri a professora Silvia, com carisma.

 

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Graça e leveza. Técnica e exatidão Foto: Fabio Nunes Teixeira – PMG

 

Nesse estreito convívio, Silvia conta que percebeu mudanças significativas no comportamento de suas alunas, transformações que acontecem no dia a dia e que, em determinado momento, as fazem desabrochar, como delicados botões de rosa:

 

“Elas sentem prazer em vir para as aulas, começam a se sentir ainda mais bonitas, se enfeitam, gostam de participar dos eventos e com o passar do tempo, todas adquiriram atenção e cuidado consigo mesmas”. Graciosas, todas elas têm uma história e estão unidas em um único objetivo: ser feliz.

 

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Graciosas, todas unidas no objetivo de ser feliz Foto: Fabio Nunes Teixeira – PMG

Maria Amélia Dória, de 64 anos, começou a fazer as aulas de Dança Cigana há poucas semanas. Depois de 6 anos praticando Dança do Ventre, ela foi orientada pelos médicos a procurar uma prática mais suave.

 

“A dança para mim é tudo, perdi meu pai recentemente e dançar é uma válvula de escape, alivia a pressão, porque conversamos com um, brincamos com outro, e a professora nos dá muita atenção”, conta Maria.

 

A professora Silvia explica que a Dança Cigana é muito importante para o grupo, composto em sua maioria por mulheres maduras, sobretudo porque lhes dá noções de expressão corporal, posicionamento e postura, enquadramento e soltura de quadril e fortalecimento do assoalho pélvico.

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Leterina, Neusa e Maria Amélia durante aula Foto: Fabio Nunes Teixeira – PMG

 

Descendente de italianos e austríacos, Leterina Montanaro, de 65 anos, também conta histórias que exigiram muito amor próprio, autoconfiança e longas horas nas aulas de Dança do Ventre, Dança Cigana e Yoga.

 

“Hoje, eu me sinto feliz, renovada, me considero uma vencedora, porque mesmo com tantas perdas, me mantive firme e descobri força em amar a mim mesma”.

 

E para aquelas que ainda não estão motivadas a transformar suas vidas, a aluna Neusa Alves de Deus, de 65 anos, uma das mais antigas do grupo, manda um recado animador: “Não tem idade limite para nossos sonhos, eu quero que muitas mulheres venham para cá, que descubram que é uma delícia, muito bom, um verdadeiro remédio para todas nós, quando estamos dançando não pensamos em dor, é uma alegria só”.

 

Uma dança que veio do oriente

 

Esboçando suaves e delicados, quase imperceptíveis movimentos com as mãos e quadril, a professora Silvia te envolve numa história milenar.

 

A Dança do ventre é originária e difundida em todos os países falantes de língua árabe, síria e turca. É uma dança milenar e já era conhecida no Egito Antigo, e seus movimentos eram ensinados às mulheres para ajudá-las nas contrações do parto.

 

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A dança cigana já era conhecida no Egito Antigo Foto: Fabio Nunes Teixeira – PMG

 

“Cada um desses povos ofereceu à Dança Cigana importantes variações, jeitos diferentes e prazerosos de se dançar, como a Tribal, além daquelas com adereços diferentes, como o candelabro, a espada, o véu”, explica.

 

Silvia trabalhava com a Dança do Ventre desde 2007, aprendeu a dançar praticamente sozinha. Em 2008, foi diagnosticada com fibromialgia e, como é apaixonada por dança, encontrou na Dança Cigana a possibilidade de continuar fazendo aquilo que gosta, sem sentir dor.

 

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De origem espanhola, mais exatamente de uma região ao sul da Espanha que sofreu influências dos mouros e árabes, Silvia explora a vertente da música Andaluz, que tem como referência a mistura entre o flamenco com a música árabe tradicional.

 

“Gosto de trabalhar todas as nuances da dança; às vezes, fazemos algumas coisas de dança cigana moderna, outras vezes, da dança cigana russa, pois o que enriquece é mostrar a diversidade geográfica onde é possível encontrar a cultura cigana.”

 

O povo cigano

 

Guiado por um rei, o povo cigano se instalou em uma cidade da Índia chamada Sind, onde passaram a viver muito feliz. Mas, durante um conflito, os muçulmanos o expulsaram e destruíram toda a cidade. Desde então, eles foram obrigados a vagar de uma nação a outra.

 

Passada de entre gerações, essa lenda típica talvez explique a diversidade geográfica que caracteriza as populações ciganas.

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Uma dança que veio do oriente Foto: Fabio Nunes Teixeira – PMG

 

O primeiro povo cigano do qual temos notícia é o povo hindu, do extremo oriente. Há populações de ciganos em toda a parte do mundo e em cada país em que se estabelecem, deixam um pouco de si e carregam um pouco dos outros.

 

Ciganos hindi, turcos, sírios, romeno, russo, eslavo, europeu, cada um com um tipo de instrumentação e dança diferente, mas todos com a mesma base e fundamentos.

 

“Os ciganos costumam dizer que a pátria dele é onde os pés deles estão fincados. Mas, por mais que viajem pelo mundo inteiro, eles mantêm muito forte os laços de família, a noção de felicidade, de comer e estar junto”.