Cultura pra quem mora na rua

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É sexta-feira à noite. O cheiro de comida fresquinha invade a cozinha da Biblioteca Monteiro Lobato. Os convidados estão para chegar e uma pequena parafernália já está toda montada na Praça João Ranali para o ‘Cultura na Rua’. Projeto da Secretaria de Cultura, ele tem um simples, porém, grandioso propósito: exibir filmes a moradores de rua, alimentá-los com a sétima arte e fazê-los se sentir como na sala de casa.

 

“Trabalhamos sempre com títulos de comédia. Exibimos, numa ocasião, o ‘Antes de Partir’ (com Jack Nicholson e Morgan Freeman) e eles (os moradores de rua) ficaram muito emocionados. Abraçaram-se, alguns choraram e comentaram sobre o valor da amizade”, relembra Maria de Lima Leite, gerente de atividades culturais das bibliotecas públicas de Guarulhos. É Maria, inclusive, quem prepara a refeição servida aos espectadores. “Antes, oferecíamos pipoca e café, mas vimos que eles queriam mais. Então, passamos a servir sopa ou comida”, destaca.

 

Realizado uma vez por mês, o ‘Cultura na Rua’ começou em novembro de 2013. A próxima edição está agendada para dia 15 de maio, às 19h.

 

A mão de Deus para levantar

 

Alguns chegam acanhados, sentam-se timidamente, mas depois de alguns minutos já se sentem em casa, como se estivessem diante da tevê. Conversam, riem, assustam-se com as cenas que se desenrolam.

 

Na plateia, Toninho, 59, tem um jeito maroto de olhar para a vida e para seus interlocutores. Pisca e mexe a face como se dissesse com as caretas: “Viu como eu sei das coisas?”. E sabe mesmo.

 

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Cinema – Sessão é exibida à noite, na Praça João Ranali, em frente à Biblioteca Monteiro Lobato, no Centro (Foto: Divulgação)

 

Do passado, não quer fazê-lo presente. Aquilo incomoda. Tem filha médica, outra enfermeira. Começou faculdade e até para a Itália foi. Mas, não quer saber de ninguém.

 

Abre a mochila com exemplares de jornais locais que lê diariamente e tira da carteira o comprovante de curso de bombeiro hidráulico, concluído em 1990. Conheceu Ariano Suassuna, leu ‘O Auto da Compadecida’, elenca grandes empresas onde trabalhou. Porém, agora as coisas são diferentes. “Esta vida tem altos e baixos, uma reviravolta. O rico quer ficar pobre? Se ficar, ele se mata. O pobre não. Se une melhor. Na rua todo mundo é unido”, declara.

 

Serviço

 

Cultura na Rua

 

Próxima sessão dia 15 de maio, às 19h.

Praça João Ranali, em frente à Biblioteca Monteiro Lobato ­ Rua João Gonçalves, 439, Centro.

 

Fonte: Folha Metropolitana