Reservatório atinge nível crítico e afeta o abastecimento de água de 10% da população

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Nem mesmo a forte chuva que atingiu a Grande São Paulo na madrugada desta terça-feira (31) reverteu o quadro crítico do reservatório de água do Cabuçu, em Guarulhos, que atingiu nível preocupante nos últimos três meses e já está afetando o abastecimento de água na cidade. Desde o começo do mês de maio, a capacidade do reservatório caiu pela metade, de 6 m para 3,5 m. O mínimo permitido é de 2,1 m, pois, abaixo disso, não é possível retirar água, pois esta se mistura a uma quantidade excessiva de lodo, impedindo o seu tratamento pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae).

 

Ao contrário do reservatório Cantareira, o Cabuçu não possui volume morto, o que significa que só existe mais 1,4 m de água disponível. O Saae diminuiu, na semana passada, a vazão de 260 para 130 litros por segundo (l/s). Com essa atitude e manobras para desviar água de outros reservatórios, a previsão é que a queda no nível passe de 3 cm para 1 cm por dia, o que permitirá mais três meses de utilização – desde, é claro, que não chova substancialmente no período.

 

O Cabuçu e o Tanque Grande são reservatórios naturais, que representam 9% do abastecimento de água para a cidade. O município conta 4% de água oriunda de poços artesianos e 87% de água fornecida pela Sabesp, que tem abastecimento significativo do Sistema Cantareira, que já opera com capacidade abaixo dos 40%.

 

A queda na vazão do Cabuçu prejudica uma população de aproximadamente 105 mil pessoas de bairros como Parque Continental I, II e III, Recreio São Jorge, Jardim Palmira, Jardim Paulista, Jardim Primavera, Parque Mikail e o próprio Cabuçu, entre outros do entorno. Já as manobras para utilizar a água do reservatório Cidade Martins (construído pelo Saae) diminuem a água disponível para outras 30 mil pessoas de regiões como Taboão, Vila União, Haroldo Veloso, Jardim Santa Inês e Malvinas. No total, mais de 10% da população guarulhense sofre diretamente o impacto da queda do nível do Cabuçu, cuja capacidade máxima gira em torno dos 7 m.

 

Como agravante, o fundo da represa Cabuçu é cônico, ou seja, a tendência é de diminuição cada vez mais acelerada do nível conforme a água é consumida. Além da manobra para trazer água do reservatório Cidade Martins, o Saae reativou uma casa de bombas no Recreio São Jorge na última terça-feira (24), o que proporcionará aos habitantes daquele bairro um melhor abastecimento, principalmente nos pontos mais altos.

 

Para evitar ainda mais prejuízos à população, o Saae Guarulhos pede aos munícipes que tomem atitudes simples no dia a dia para a economia de água, como diminuir o tempo no banho, não fazer a barba ou escovar os dentes com a torneira aberta, não lavar carro e calçada com mangueira (usar um balde nesses casos) e ensaboar a louça com a torneira fechada. Ainda que a chuva desta semana tenha vindo com força, será necessário um longo período de precipitações constantes para que o reservatório Cabuçu retorne ao nível adequado.