Tendências e inovações movimentam segmento de beleza

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Ao retornar de um longo período de fechamento, após o país sair do período de maior gravidade da pandemia, as áreas que compõem o setor de beleza e bem-estar continuaram acompanhando as últimas tendências desta indústria, que no Brasil movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano.

 

 

Levantamento da consultoria Euromonitor revela que há em torno de 500 mil salões de beleza formalizados no país, sendo que 83% são voltados ao público feminino. De 2013 para cá, o número de profissionais atuando na área cresceu 567%, passando de 72 mil para mais de 480 mil pessoas, informa a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Apihpec), lembrando que o segmento de salões de beleza cresceu a uma taxa anual de 8,2% nos últimos 10 anos.

 

O Sudeste desponta como a região com mais salões (276 mil), 56% do total existente no país. Neste contexto, a cidade de São Paulo está à frente desta lista, com milhares de estabelecimentos, seja em bairros mais ricos ou nos localizados na periferia.

 

Estes números foram fortemente puxados pela expansão das unidades de franquias de beleza. Boa parte deste processo positivo tem influência direta da maior procura de produtos e serviços para o público masculino e pessoas negras, uma vez que houve diversos lançamentos dirigidos a esses consumidores.

 

Conhecimentos

 

A partir deste panorama, os cabeleireiros reforçaram seus conhecimentos ainda mais, de modo a acompanhar as tendências e as inovações do mercado, cada dia mais exigente. Estas transformações vêm ocorrendo tanto na área da moda quanto na administrativa.
Há, inclusive, destacados investimentos em reformas e ampliações de estabelecimentos, expansão de unidades, contratações de funcionários e a compra de novos equipamentos e produtos.

 

Atualmente, cerca de 70% dos espaços relacionados à beleza funcionam com adaptações por conta da Covid-19, de acordo com a 12ª Pesquisa de Impacto da Pandemia do Coronavírus nas Micro e Pequenas Empresas, realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getulio Vargas.

 

Esse mercado tem se mostrado bastante competitivo, por isso, cabeleireiros e donos de salões precisam tomar uma série de atitudes para continuar operando, inclusive para obter vantagens em preços com fornecedores. Tamanho movimento tem sido dirigido à classe “D”, tradicionalmente alijada desse tipo de atividade.

 

O maior acesso aos serviços de salões de beleza também tem sido visto entre os consumidores da classe “C”, uma vez que muitas mulheres passaram a gerar renda, fator essencial para se investir no lançamento constante de novos produtos e tratamentos capilares, como massagem, alisamentos, fitagem, selagem, entre outros.

 

Diversidade

 

A maior diversidade de serviços também tem acelerado a fidelização de clientes, aspecto ainda negligenciado por muitos donos de salões. Este processo pode ser realizado por meio da prestação de serviços de excelência, promoções, presentes, descontos e até um banco de pontos para trocar por produtos e serviços.

 

Com o objetivo de atrair mais clientes, muitos espaços adotaram como estratégia a venda de “combos” ou pacotes de serviços, tornando recorrente e vantajosa a ida do cliente ao salão. Este processo mercadológico está se tornando mais comum nos salões.

 

Certamente, atitudes como estas poderão elevar o padrão dos salões e abrindo caminho para que haja um sólido trabalho de desenvolvimento deste segmento na economia do país.

 

Na cidade de São Paulo, por exemplo, há um forte crescimento do mercado de salões de beleza, seja nas áreas mais nobres, como Vila Mariana, Moema, Itaim, Jardim Paulistano, Pinheiros e Vila Nova Conceição, bairros cujos gastos médios são mais elevados do que em outras regiões.

 

Para atender à forte expansão, os salões têm encontrado dificuldade para achar profissionais com qualificação. A partir da constatação desta oportunidade, o mercado educacional para a formação de mão de obra para este setor, está se movimentando para capacitar essas pessoas, de modo que possam atuar nos mais variados estabelecimentos.

 

No caso específico do cabeleireiro, ele tem a capacidade de atuar no cuidado, beleza e vitalidade dos cabelos dos clientes, utilizando uma grande variedade de produtos, utensílios e técnicas específicas para realizar cortes e escovas e aplicação de cremes e químicas e colocação de extensão capilar. Além disso, há profissionais especializados em cabelos étnicos, que já com produtos próprios.

 

Étnicos

 

Ainda há um grande mercado a ser descoberto pelas marcas de beleza, desde que entendam as reais necessidades dos consumidores negros, que cada vez mais têm poder econômico para frequentar salões de beleza e deixar dezenas de reais no estabelecimento.

 

Por muito tempo, as marcas ditaram os caminhos da indústria da beleza para o que se constitui, equivocadamente, de “cabelo normal” ou “bom”, que raramente abraça cachos e bobinas de cabelos afro ou ricos em textura. Em 2009, o comediante americano Chris Rock fez um documentário sobre o assunto quando sua filha de três anos lhe perguntou por que ela não tinha “cabelo bom”, e esta iniciativa ajudou muito a sociedade.

 

Globalmente, segundo a consultoria McKinsey, o mercado global de beleza, incluindo os cuidados com os cabelos, deve se expandir drasticamente, de cerca de US$ 910 bilhões em consumo em 2019 para US$ 1,7 trilhão em 2030. Entretanto, essas cifras poderiam ser maiores, se não houvesse algumas barreiras a serem vencidas, como a concorrência de produtos ineficazes, falta de capacitação, desinformação e práticas de varejo discriminatórias.

 

As marcas estão começando a se alinhar, com atitudes mais progressistas.  A Unilever, por exemplo, informou, em março deste ano, que eliminaria a palavra “normal” de todas as embalagens e publicidade de suas marcas de beleza e cuidados pessoais. Até 2021, o termo havia sido usado em pelo menos 200 produtos.

 

Cidades como Nova York estão puxando importantes mudanças políticas neste sentido. Em fevereiro de 2019, antes da pandemia, a Comissão de Direitos Humanos da cidade emitiu novas diretrizes para proteger pessoas com cabelos naturais, penteados tratados ou não, como mechas, manter o cabelo sem cortes ou sem aparar” no trabalho, na escola ou em espaços públicos. Embora tenha demorado para ser adotada a iniciativa tem tudo para dar certo!