Mobilidade Urbana: de quem é a cidade?

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A mobilidade urbana, isto é, as condições oferecidas pelas cidades para garantir a livre circulação de pessoas entre as suas diferentes áreas, é um dos maiores desafios na atualidade tanto para o Brasil quanto para Guarulhos. O crescente número de veículos individuais, somado a grande explosão demográfica na cidade, produziu esse  inchaço do trânsito, notado principalmente nos horários chamados de “pico”.

 

Essa evolução urbana , sem nenhum planejamento humano (entende- se planejamento humano, a cidade que se planeja tendo como parâmetro em primeiro lugar seus munícipes e não seu valor produtivo ) , se deu em meio a todo processo migratório assistido na cidade em décadas , como se nota no quadro abaixo :

 

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Fonte: PMG — disponível no site www.guarulhos.sp.gov.br “O fluxo migratório que ganhou força a partir de 1970 foi um dos fatores da elevação do crescimento demográfico, que contribuiu ainda, para o processo de periferização no município, principalmente em razão da necessidade de constituir um lugarpropício à reprodução da força de trabalho. Com isso, as áreas denominadas como rurais foram incorporadas ao plano de urbanização, o que se convencionou como padrão periférico de crescimento”. (BONDUKI, 1998; KOWARICK; 1994 apud GAMA, 2009, p. 47)

 

Diante disto a cidade  vive um drama a respeito dessa questão (soma-se a isso  o incentivo com a redução dos impostos no ultimo governo ao  mercado automobilístico, possibilitando a maior oferta de carros com baixo custo) e a baixa qualidade do transporte público que também  contribuíram para o aumento do número de carros no trânsito. Com isso, tornaram-se ainda mais constantes os problemas com engarrafamentos, lentidão, estresse e outros, um elemento presentes em Guarulhos.

 

Contudo Guarulhos também sofre , tendo em vista sua  sua formação urbana , tendo em vista seu centro relativamente pequeno e carente de vias que seus fluxos possam dissipar.

 

Diante disto é necessário uma política publica além do plano diretor , e sim um plano de mobilidade urbana , privilegiado o transporte coletivo , abandonando o modelo rodoviarista adotado no Brasil desde dos anos 50 e sua herança histórica  e revendo tanto o valor do transporte coletivo , quanto seu melhor conforto.

 

Vale ressaltar também que o modelo histórico de organização do espaço geográfico brasileiro não contribui para uma mudança desse cenário. Afinal, ao longo do século XX, houve uma rápida urbanização do país, que assistiu a um acelerado processo de crescimento das cidades e também de metropolização, ou seja, a concentração da população nas grandes metrópoles. Se o país tivesse passado por um processo de Reforma Agrária adequado, de forma a conter o elevado êxodo rural e, consequentemente, os níveis de urbanização, talvez essas e outras questões urbanas fossem de mais fácil resolução.

 

Texto de: Lionel Fontanesi

Professor de Geografia da Rede publica e privada

Com formação continuada em Políticas Urbanas pelo Instituto Capacidades –Ministério das Cidades

Pesquisador de História e Geografia local

Coordenador do Projeto Atualidades e editor do site sobre História de Guarulhos : www.portalmaromomi.com.br

E-mail: [email protected]