Sabesp utiliza sensores com IA para acompanhar redes de esgoto em tempo real

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A Sabesp está ampliando e modernizando o monitoramento de suas redes de esgoto na capital paulista, por meio de sensores inteligentes, modelagem hidráulica e plataformas digitais. O sistema permite acompanhar, em tempo real, o comportamento das tubulações, poços de visita e estações de bombeamento (as elevatórias), antecipando a detecção de anomalias e possibilitando ações preventivas que evitam transtornos à população e reduzem impactos ambientais.

 

Sistema de monitoramento de esgoto das áreas da região Centro e Centro expandido – Divulgação Sabesp.

 

A tecnologia integra dados de nível, vazão, chuvas, qualidade da água e indicadores ambientais, cruzando informações com apoio de inteligência artificial. Quando os sensores identificam alterações, como risco de entupimento, vazamento para fora da rede ou redução de capacidade, as equipes são automaticamente acionadas, permitindo respostas mais ágeis e eficientes.

 

O sistema utiliza sensores instalados diretamente nos poços de visita (PV), que fazem medições contínuas do nível do esgoto e enviam informações em tempo real à central de monitoramento. A inteligência artificial analisa tendências e identifica padrões que possam indicar risco de obstrução.

 

 

A tecnologia gera alertas automáticos quando o nível do esgoto atinge faixas críticas, destacando pontos de atenção no mapa operacional. A medida é uma antecipação de decisões, permitindo um estudo da situação de esgotamento da região em que foi disparado o aviso. Com essas informações, é possível enviar equipes ao local antes que o problema cause algum transtorno ou que haja registro de ocorrência por parte dos clientes.

 

Da sala de controle, os técnicos acompanham em tempo real o mapa dos sensores de inteligência artificial. Ao acender uma luz vermelha, providências são tomadas para a correção do quadro.

 

Atualmente, estão instalados 315 sensores na cidade de São Paulo, em regiões como Santana, Jardins, Mooca, Ipiranga e centro. Com o sucesso da iniciativa, quase 1.000 novos sensores serão instalados na capital no próximo mês de dezembro.

 

Os primeiros pontos a receberem os equipamentos foram o bairro de Santana, na zona norte, em 2022, e a região do córrego Maranhão, no Tatuapé, na zona leste da capital, em 2023. A distribuição dos sensores foi planejada estrategicamente após levantamento de pontos sensíveis, incluindo áreas com grande presença de restaurantes e lanchonetes, onde o descarte irregular de óleo costuma causar entupimentos.

 

Quando é jogado óleo de fritura na pia ou ralos, ele acaba endurecendo dentro da tubulação de esgoto e forma uma parede – tal qual uma placa de gordura entope as veias e provoca infartos. Por isso o óleo nunca deve ser jogado na pia ou no vaso sanitário, e sim direcionado para reciclagem, onde pode ser transformado em sabão, por exemplo.

 

 

A Sabesp mapeou os locais nesses bairros que mais tinham entupimentos na rede de esgoto e instalou os sensores para poder prevenir ocorrências. Com o sucesso da iniciativa, os pontos de medição foram sendo expandidos.

 

Eles cobrem atualmente mais de 150 bairros da capital, em regiões populosas e de importantes atividades econômicas, como centros comerciais, hospitais, escolas e atrações turísticas. Dentro da área de abrangência estão regiões como o centro histórico, a região do parque Ibirapuera, Jardins, Pinheiros, Consolação, Pompeia, Pacaembu, Perdizes, Lapa, Vila Leopoldina, Higienópolis, Liberdade, Bela Vista, Vila Mariana e Moema.

 

Na área do Centro a tecnologia, que conta também com uma plataforma de gêmeos digitais (SewerSight), que permite uma visão ampliada e integrada de todo o cenário operacional, já antecipou a solução de ocorrências operacionais em 36.341 ligações de esgoto, beneficiando mais de 200 mil pessoas e contribuindo para evitar retornos e intervenções emergenciais.

 

Na região de Santana, desde o início do monitoramento, foram realizadas 251 vistorias, com 15 acompanhamentos de rede e sete ocorrências solucionadas preventivamente. Todos esses casos foram identificados, monitorados e solucionados de forma preventiva, graças ao sistema remoto e à atuação das equipes técnicas da Companhia.

 

 

“O sistema de monitoramento de esgoto por sensores é de extrema importância na operação da Sabesp. Ele traz mais inteligência, precisão e rapidez ao trabalho das equipes, reduzindo riscos à população e impactos ambientais. Com essa tecnologia, conseguimos agir antes do problema acontecer. É uma tecnologia que permite detectar situações críticas com antecedência, reduzindo riscos de problemas como vazamentos e garantindo mais eficiência às operações”, destaca Maycon Abreu, diretor regional Centro da Sabesp.

 

Córrego Limpo

 

O monitoramento vai além das ruas e imóveis, protegendo, também, os córregos. Essa proteção começa com o monitoramento de nível de esgoto nos poços de visita próximos aos corpos d’água. Paralelamente, a qualidade dos córregos é avaliada por meio dos indicadores DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) e DQO (Demanda Química de Oxigênio), que funcionam como um termômetro da saúde da água. Esse sistema ajuda a preservar os cursos d’água da capital.

 

Monitoramento de redes na região Norte da Capital – Divulgação Sabesp.

 

“O sistema da Sabesp que transporta o esgoto para as estações de tratamento contribui para a qualidade da água de nossos córregos e rios. Com o monitoramento, nossas equipes podem atuar antes que algum entupimento prejudique essa operação, seja por algum lançamento indevido de materiais nas redes, seja por necessidade de manutenção corretiva”, ressalta Cesar Ridolpho, diretor regional Norte da Sabesp.

 

A DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) mede a quantidade de oxigênio que micro-organismos precisam para decompor uma matéria orgânica de forma natural. É um processo biológico. Se a água tem muita sujeira, as bactérias vão trabalhar muito e, consequentemente, consumir muito oxigênio dissolvido. O problema é que esse oxigênio seria usado pelos peixes e outras vidas aquáticas. Quanto menor o nível de DBO, melhor.

 

Por sua vez, DQO é um processo para descobrir o quanto de sujeira pode ser decomposta em uma amostra de água. Mede a carga total de poluição oxidável, incluindo a sujeira que os micro-organismos não conseguem decompor.

 

Sensor responsável por monitoramento de esgoto antes (imagem da esquerda) e durante obstrução (imagem da direita) – Divulgação Sabesp.

 

Os níveis elevados de ambos confirmam a presença de poluição orgânica e total, indicando a necessidade de ação corretiva.

 

Mau uso da rede ainda é um dos principais desafios

 

Apesar dos avanços tecnológicos, o bom funcionamento das redes depende também das práticas da população.

 

Algumas das principais causas de obstruções:

 

  • descarte de lixo sólido (panos, plásticos, fraldas, madeira, entulho);
  • óleo de cozinha despejado em pias;
  • ligações indevidas de água de chuva na rede de esgoto;
  • materiais de obra jogados nas tubulações.

 

Essas práticas podem causar retornos de esgoto para a via pública ou em imóveis e até poluição de rios e córregos.