Quando a música de dentro é a mesma que a de fora

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Às vezes, é preciso muito pouco para despertar um talento. E este “muito pouco” significa fazer a coisa certa no momento certo. Parece clichê, mas a verdade é que não se foge ao destino, ainda mais quando ele tem a própria trilha sonora. Assim, em meio a uma profusão de notas, acordes e sentimentos, alunos e ex-alunos do Conservatório Municipal de Guarulhos tiveram aquele start para seguir carreira e se dedicarem, exclusivamente, à música.

 

musica-jovensJovens escolheram a Música como profissão/Fotos: Nícollas Ornelas (PMG)

 

Conheça agora o depoimento de alguns destes jovens, que deixaram de lado a insegurança da própria família, a cobrança de amigos ou abandonaram empregos com estabilidade para colocarem a música de dentro em sintonia com a de fora! Quem sabe você também não se inspira para estudar no Conservatório de Guarulhos (avenida Tiradentes, 2.125, Cocaia)? Mantido pela Prefeitura, o Conservatório dispõe de cursos gratuitos e projetos especiais. #boraprestigiarGuarulhos!

 

Riverton Vilela Alves, 21 anos, cursa bacharelado em contrabaixo acústico na Unesp

 

 “Em 2009, uma prima me avisou sobre a abertura de inscrições no Conservatório Municipal. Eu já tocava, de ver no YouTube, contrabaixo elétrico. Estudei quatro anos aqui. Minha professora, a Miranda, que está nos EUA agora, abriu várias portas para mim. Toquei na Orquestra Jovem Municipal e em 2014 fui aprovado na Emesp, o que me abriu outras portas. Fiz contatos. Ainda em 2014, entrei na Orquestra Jovem do Estado e estou lá desde então. Tem coisa, que quando é para dar certo, ela dá um jeito de chegar até você. Claro que tem que estudar muito. Mas, quando a gente quer muito alguma coisa, a gente chama isto para si.

 

Comecei a me interessar por música aos 13 anos, quando vi um pessoal tocando numa banda de jazz. Nem imaginava ter a música como profissão.

 

Para os meus pais foi um grande baque. Como você vai se aposentar? É um universo diferente. Não entendem muito bem. Mas é um leque muito grande que se abre.

 

Em agosto de 2014, quando eu mal tinha entrado na Orquestra Jovem do Estado, viajei para Amsterdã com a orquestra, e tocamos no Grachtenfestival; um festival de música, no qual se apresentam orquestras, grupos de jazz e de música contemporânea. Ficamos lá cinco dias e depois fomos pra França. No ano passado, viajamos para os EUA. Tocamos em Washington, no Kennedy Center, e logo em seguida formos para Nova York, onde tocamos no Lincoln Center.”

 

Ana Beatriz França Silva, 18 anos, cursa Licenciatura em Música na Unesp

 

“Entrei no Conservatório aos 14 anos e ainda curso o quinto ano aqui (no Conservatório). Integrei a Camerata de Cordas, na qual fiquei até julho do ano passado. Embora meu pai tocasse teclado e minha mãe cantasse, nunca tive interesse em nada de música. Mas, sempre gostei de violino e acabei querendo mostrar que eu podia tocar também. Foi aí que me apaixonei. Pensei em fazer Odontologia, mas aí descobri que existia a profissão de músico. Fiquei entre Gastronomia e Música, mas decidi por Música. É minha paixão.”

 

Wesley Delman, 25 anos, cursa o 4º semestre de Bacharelado em Trombone na Faculdade Mozarteum de São Paulo (Famosp)

 

“Vi uma apresentação da Big Band do Conservatório no Adamastor e gostei do instrumento (trombone), porque só tinha um. (risos) Acabei entrando para o Conservatório em 2004, para tocar trompete, mas sempre quis tocar trombone. Entre 2005/2006 pedi para o professor Silvio Gianetti, para trocar de instrumento. Comecei a estudar com ele e ele me ajudou muito. Acredito que se cheguei onde cheguei foi por causa dele e da minha família. Ele sempre teve muita paciência comigo.

 

Já toquei na Orquestra Jovem do Conservatório, na Banda Sinfônica Jovem do Estado e na Orquestra Sinfônica de Santos

 

Em 2014, toquei na Sinfônica de Heliópolis, que fez a trilha sonora da novela Velho Chico. Eu também era concursado na Aeronáutica. Fiquei quatro anos. Mas lá não era só para ser músico, você também precisa ser militar; tinha a parte burocrática. Depois eu fui vendo o que estava perdendo e decidi sair, em 2013. Não me arrependo. Sinto-me totalmente realizado e carrego muita experiência boa. Em 2014 entrei para a faculdade e depois pretendo fazer um mestrado em Berlim.”

 

Dayse Rodrigues Bulgarelli, 31 anos, cursa o 2º ano de Licenciatura em Música na Unesp

 

“Moro no bairro do Ipiranga (em São Paulo) e entrei em 2010 para o Conservatório. Eu fazia quase tudo o que tinha aqui (os projetos). Participei do Coral Cultura, aqui no Conservatório, com a professora Déborah Rossi e participei da Orquestra com a professora Miranda.

 

Eu tocava piano na igreja e não pretendia fazer Música como profissão, mas a música acabou me cativando… Quando a professora Déborah me falou que não tinha idade para fazer Música, guardei aquela frase e a deixei processando (risos).

 

Acabei decidindo fazer faculdade de Música. Larguei tudo: eu era concursada num hospital em São Paulo, onde trabalhava como enfermeira há seis anos. Abandonei meu emprego. Meus pais me apoiaram, entenderam. Mas o resto da família, não. Eu pensei: ‘Vou ser feliz!’

 

Para passar na Unesp, as aulas daqui (do Conservatório) me ajudaram muito. Os professores acreditavam mais em mim do que eu mesma! Atribuo esta conquista a Deus e à minha família. Agora estou no segundo ano de Licenciatura em Música, na Unesp, e estou dando aula de Música também.”

 

Emerson de Paiva Silva, 26 anos, formado em Música pela UnicSul

 

“Quando eu tinha 12 anos, meu irmão integrava uma banda que tocava samba. Ele começou a me ensinar. Naquela época, eu não me interessava por samba. Mas, isto me abriu um leque.

 

Em 2004, entrei para o projeto Cordas, Prá que Te Quero, aqui do Conservatório.  No ano seguinte, ingressei para o Conservatório (no curso regular). Fiquei até 2009/2010. Em 2011 comecei a faculdade. O professor Victor Castellano me incentivou bastante. Atualmente sou professor de Música, ensino violão para crianças e gosto muito. Também estou no segundo semestre do curso de Direito. Mas, a música é algo de dentro, que você não consegue largar.”

 

Thatiany Nunes Teschi, 18 anos, cursa o 1º ano de Licenciatura em Música na Unesp

 

“Desde os 8 anos de idade, eu participava de projetos diversos da Prefeitura. Entrei para o Conservatório em 2013 e estou no 5º ano tendo participado, como violinista, da Camerata com o professor Celso Franchini.

 

Também nunca pensei em seguir carreira. Eu tinha vontade de me aprofundar na Música.

 

Quando estava no Ensino Médio, o que eu sabia fazer era isto: tocar violino. Eu vi que era paixão. No ano passado, dei aula para minhas primas. Vi que era algo muito gostoso e acabei passando no vestibular.

 

Minha mãe me incentivou muito. E eu faço porque gosto. A música tem um papel muito importante e transformador, sendo benéfica para o nosso corpo, nossa mente. É responsável pelo que sou.”

 

Debora dos Santos Predella, 18 anos, cursa o 1º ano de Licenciatura em Música na Unesp

 

“Meu irmão sempre tocou bateria, tinha uma banda de rock, mas eu não queria me envolver. Eu era mais ligada a desenho, pintura e arte. Mas acabei fazendo aula de violino no CEU Pimentas. Aí, decidi entrar para projetos do Conservatório. Comecei a me encantar por isto. Mas ainda não tinha decidido fazer Música como carreira. Acabei iniciando o curso de Design Gráfico e desisti. Entrei em Logística e também não deu. Aí passei na Unesp. Quero fazer Musicoterapia. Os professores do Conservatório são as melhores referências, eles passam pela nossa vida e não deixam de nos incentivar.”

 

debora-guarulhos

 

Vinícius Faina, 21 anos, cursa o 3º ano de Música na USP

 

“Fiquei um ano no (projeto do Conservatório) Cordas, Prá Que Te Quero. Eu era meio rebelde, queria peças mais difíceis (risos). O Victor Castellano foi um professor de virada. A Déborah Rossi e o Samuel Cardoso também me ajudaram muito. Agora, na faculdade, fui convivendo com pessoas diferentes, muitas com família de músicos. Eu não tive isto: meu pai e minha mãe trabalhavam em indústria.

 

Estes anos que participei aqui no Conservatório fizeram toda a diferença na minha vida e na minha escolha. O Brasil tem esta deficiência de profissionalização de músicos e a gente vai lutando contra (a opinião) os parentes, porque o que eu faço é tão sério quanto outra profissão.

 

Agora eu tenho três atividades, que estão me rendendo não apenas prazer, mas trabalho, um deles é voltado à produção musical, com gravação para bandas. Tem um mercado muito grande para explorar.”