Guarulhense da Seleção Brasileira de Vôlei para surdos busca apoio para o time

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Talento e superação motivam a atleta guarulhense Hellen Souza desde a infância. Por conta de algumas complicações durante a gestação da mãe, a surdez da menina foi constatada logo após o nascimento. Os exames apontaram apenas 35% de capacidade auditiva, mas, durante o crescimento,  ela provou que o problema nunca foi empecilho.

 

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A guarulhense Hellen é destaque da Seleção Brasileira

 

Aos seis anos, Hellen já dava os primeiros passos no vôlei no CIAD (Centro Integrado de Atividades Desportivas) de Guarulhos. Com o passar do tempo, foi se destacando e logo ingressou na equipe de vôlei do município. “Treinava junto com as outras atletas consideradas ‘normais’. Comunicava-me tranquilamente com elas”, disse a jovem jogadora.

 

Após uma grave lesão no joelho, a atleta, que atua na posição de central de rede, chegou a se afastar das atividades por um bom tempo. Depois de longa recuperação, um amigo comentou sobre a existência da Seleção Brasileira de Vôlei para surdos, o que rapidamente a empolgou. Helen imediatamente entrou em contato com a CBDS (Confederação Brasileira de Desportos dos Surdos) e conseguiu entrar na seletiva. “Fui convicta das dificuldades físicas por conta do tempo parado, mas consciente do meu talento”, comentou.

 

Esse foi o início de uma trajetória que já coleciona muitas vitórias. Ela não só conseguiu passar na seletiva, como permanece na Seleção Brasileira há dois anos consecutivos, sendo vice-campeã no Sul-americano, em Caxias do Sul (RS), em 2014, e no Pan-americano, em Washington (EUA), em 2016.

 

Busca de apoio

 

Atualmente, Hellen, juntamente com a Seleção, está diante de um grande desafio: conseguir verba para disputar a Deaflympics, maior competição da modalidade, no mês de julho, na Turquia. “Estamos focados em conseguir parceiros para que possamos jogar o maior torneio do mundo e representar bem nosso país”, completou.

 

Confiante, a jogadora do bairro de Cumbica mostra que leva a vida com bom humor e lembra-se de histórias divertidas que marcam sua vida no esporte. Um dos seus primeiros treinadores não sabia do problema auditivo e, durante um treinamento, começou a gritar com a atleta. “Ele falava alto, mas de longe, eu não conseguia entender. Ele chegou perto de mim e esbravejou perguntando se eu era surda. Respondi que sim”, contou Hellen com uma bela gargalhada.

 

Em outra ocasião, quem cometeu a gafe foi a própria jogadora. O primeiro contato que ela obteve na CBDS também tinha o mesmo problema auditivo. Hellen se esqueceu desse detalhe e ligou para a pessoa. “Eu fiquei falando alô algumas vezes e só depois me dei conta que ela também era surda”, mais uma vez aos risos.