Desperdício de água é mais de 40% da receita do Saae

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O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Guarulhos deixou de arrecadar 39% da receita no ano de 2013 devido a perdas de água. Naquele ano, o orçamento da pasta foi da ordem de R$ 581,7 milhões, onde cerca de R$ 120 milhões não foram arrecadados devido às perdas.

A constatação faz parte do estudo “Perdas de Água: Desafios ao Avanço do Saneamento Básico e à Escassez Hídrica”, divulgado ontem pelo Instituto Trata Brasil. De acordo com o levantamento, que avaliou a situação nos 100 maiores municípios brasileiros, no período foram registrados 35% de perdas do líquido na cidade. No entanto, o estudo não apresenta quanto isso significa em valores reais de perda na receita da autarquia.

Entre 2009 e 2013, houve a redução de 21% no volume de perdas na rede de distribuição de Guarulhos. O número caiu de 57% para 35%, o que representou uma queda de 50% para 39% na arrecadação da autarquia no período.
Ainda assim, a média de perdas por ligação no ano foi de 366,19 litros/dia/ligação, ou seja, acima do índice desejado de 250 litros/dia/ligação.

O estudo foi baseado nos dados mais recentes do Ministério das Cidades, especificamente no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS – ano de referência 2013).

 

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Em grandes números, os dados do SNIS 2013 mostram que as perdas na distribuição estão em 37% e que as perdas financeiras totais estão em 39%.

A água não faturada pelas empresas foi de 6,5 bilhões de metros cúbicos de água tratada, perfazendo perda financeira de R$ 8 bilhões ao ano. Tais perdas equivalem a cerca de 80% dos investimentos em água e esgoto realizados em 2013.

 

Na projeção do estudo, se em cinco anos houvesse uma queda de 15% nas perdas no Brasil, ou seja, de 39% para 33%, os ganhos totais acumulados em relação ao ano inicial seriam da ordem de R$ 3,85 bilhões.

A título ilustrativo, o volume total da água não faturada é equivalente à 6,5 vezes a capacidade do Sistema Cantareira, ou 7.154 piscinas olímpicas perdidas ao dia, ou, ainda, 17,8 milhões de caixas de água de 1.000 litros perdidas por dia.

Para o Trata Brasil, as perdas sempre foram um dos pontos frágeis dos sistemas de saneamento e das empresas que operam esses serviços, independentemente de serem públicas ou privadas.

Os dados de perdas no país mostram a fragilidade da gestão de grande parte do setor, ao mesmo tempo em que traz desafios às três esferas governamentais.

 

Autarquia realiza 1.500 vistorias por mês em busca de ligações clandestinas

 

O programa de busca permanente de ligações clandestinas e fraudes realiza, em média, 1.500 vistorias por mês em busca dessas situações. Hoje, o percentual de fraudes encontradas está em torno de 5%. No entanto, no começo do programa, há cerca de cinco anos, esse percentual já foi de quase 15%. Segundo a autarquia, as ligações clandestinas são eliminadas assim que detectadas.

As ligações suspeitas são vistoriadas e, em caso de constatação da irregularidade, são aplicadas as penalidades previstas no Código de Posturas do Município, dentre as quais está a suspensão do fornecimento de água, multa que pode variar de 329,3808 a até 14.639,1452 Unidades Fiscais de Guarulhos (UFGs) – entre R$ 872 e R$ 38 mil – e lançamento do consumo estimado no período da irregularidade.

As ligações suspeitas (ligações clandestinas e fraudes e irregularidades no cavalete do hidrômetro) são identificadas por análise de consumos ou por denúncias. As denúncias podem ser feitas à Central de Atendimento Telefônico 0800-101042, que funciona 24 horas. O anonimato é garantido ao denunciante.

 

Fonte: Guarulhos Hoje