Dengue aumenta na gestão Almeida

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Deitada por três dias na enfermaria de um hospital particular, com medo, dor e fraqueza. A cada dia um drama. O número de plaquetas no corpo caia. O corpo não reagia. As dúvidas rondavam tendo marido e filha de três anos em casa. A recuperação, demorada, em casa, foi um alívio, mas a assistente em recursos humanos Solange Oliveira sintetiza com um “quase morri” os dias em que ficou com dengue.

 

Solange mora em São Paulo, mas, para ela, a capital paulista é apenas uma cidade dormitório. Na época que pegou dengue, em fevereiro de 2014, ela trabalhava em Guarulhos e deixava a filha na casa dos pais. Quando ficou doente, sem paciência para ir à fila de uma unidade básica de saúde, ela foi para um hospital particular. Alguns dias depois, foi internada pelo convênio.

 

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O caso de Solange não é exceção em Guarulhos. Desde o início da gestão do prefeito Sebastião Almeida (PT) e do secretário de Saúde e vice-prefeito, Carlos Derman (PT), em 2009, os casos de dengue explodiram na cidade. A incidência da doença subiu 51 vezes no período. Até hoje Solange não sabe em qual local foi picada pelo mosquito Aedes Aegypti, que é o transmissor do vírus da dengue. Suspeita que pode ser sido próximo da casa dos pais, onde havia casas abandonadas.

 

O número de agentes de Saúde que a Prefeitura coloca nas ruas para combater a proliferação do mosquito é mínimo. São apenas 100 para uma população de 1,3 milhão de habitantes. E se a situação é ruim, a tendência é piorar. Com 800 casos já registrados até março, a Prefeitura avalia que é grande o risco de haver um grande contágio de dengue nos meses de abril e maio deste ano. Ciente que as unidades básicas de Saúde (UBSs) não terão condições de atender a demanda, o poder público está fazendo a compra de tendas temporárias para hidratação. Elas devem ficar em áreas de igrejas e escolas.

 

“Casas fechadas atrapalham”, diz Derman

 

O secretário municipal de Saúde, Carlos Derman, afirmou que as casas fechadas têm atrapalhado o trabalho de fiscalização dos agentes de Saúde. Ele alegou também que muitas pessoas não deixam os agentes entrarem nas residências para buscar possíveis focos de dengue.

 

Em reunião da Comissão de Higiene e Saúde Pública da Câmara Municipal, na semana passada, Derman ponderou que a situação em Guarulhos, apesar de ser preocupante, é menos grave do que em outros municípios paulistas. “Sorocaba teve 28 mil casos só neste ano.” A cidade tem mais de 637 mil habitantes – menos da metade do que Guarulhos, com 1,3 milhão de pessoas.

 

“Estamos tentando incorporar o Tiro de Guerra, as escolas e igrejas neste trabalho [de combate a dengue]. Tivemos um mutirão no Paraventi e devemos ter outros”, afirmou o secretário.

 

Câmara reclama de ações da Prefeitura

 

O presidente da Comissão de Higiene e Saúde Pública da Câmara, Alexandre Dentista (PSDC), afirmou que a falta de fiscalização da Prefeitura, junto com o armazenamento de água indevido pela população por conta da crise hídrica, são os principais fatores que explicam o aumento exorbitante do número de pessoas infectadas pelo vírus da dengue no ano passado. “Quem tem a obrigação e a estrutura para ver os focos de dengue é a Prefeitura.”

 

O líder do PSDB, Romildo Santos, também não poupou a administração municipal. “É difícil se deparar com uma equipe de agentes de Saúde na rua.” Ele avaliou que a difícil situação financeira do governo tem dificultado o combate ao mosquito Aedes Aegypti. “Papel só não adianta. Tem que ter fiscalização.”

 

Fonte: Folha Metropolitana