Com um público de 55 mil pessoas, Guarulhos estreia na Virada Cultural Paulista

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Com 24 horas de programação e um público estimado em 55 mil pessoas, a cidade de Guarulhos recebeu pela primeira vez a Virada Cultural Paulista, no último final de semana. O evento realizado pela Secretaria de Estado da Cultura ofereceu uma programação que movimentou várias regiões, do Centro às periferias.

 

Foto: Fabio Nunes Teixeira

Para facilitar o acesso durante os dois dias de shows, a prefeitura montou um esquema especial com linhas de ônibus noturnas, além de disponibilizar um maior efetivo da Guarda Civil Municipal, o que resultou em um evento seguro para quem circulou pelos palcos montados no Bosque Maia, Adamastor Centro, Cemear, Jardim Tranquilidade, Ponte Alta, CEU Pimentas e Parque Transguarulhense.

 

No total foram 400 grupos e atrações locais mostrando sua arte em apresentações de música, dança, literatura e espetáculos, que se juntaram a nomes como o da cantora baiana Daniela Mercury e do rapper Emicida, que se apresentaram respectivamente, no sábado (13) e domingo (14) no palco do Parque Transguarulhense.

Gru na Virada

Na abertura do evento no sábado (13), no Adamastor Centro, o secretário Adjunto da Cultura do Estado, Romildo Campello, ficou surpreso com a apresentação da Orquestra Municipal e reforçou a importância do intercâmbio cultural entre os municípios: “Pela primeira vez, Guarulhos participa da Virada Cultural Paulista, como uma das 22 cidades que recebe o evento e esperamos com essa aproximação criar novas oportunidades para os artistas”.

 

Foto: Márcio Lino/PMG

O prefeito Guti destacou a importância da realização do evento na cidade com uma característica diferenciada: “Com a Virada Cultural em Guarulhos, nossos artistas locais têm a chance de mostrar seu trabalho a grandes públicos, a chance que muitos têm de difundir e divulgar o que fazem com tanto amor”.
O vice-prefeito Alexandre Zeitune saudou a garra e dedicação da equipe envolvida na organização: “É muito gratificante quando enxergamos um movimento de sociedade ocupando o Adamastor, as praças, os parques, os CEUs, e compreendendo que esses espaços lhes pertencem”.

 

Foto: Fabio Nunes Teixeira

O palco da Transguarulhense recebeu o maior público do final de semana, com um total de 38 mil pessoas. A valorização da cultura afro-brasileira e o empoderamento feminino foram temas que marcaram as apresentações das cantoras Céllia Nascimento e da rainha do axé Daniela Mercury, que agitou o público, com as canções “Ilê pérola negra”, “Como vai você”, “Nobre vagabundo”, “Cálice/Deus lhe pague”, “Super homem”, “Swing da cor” e “Canto da Cidade”.

 

A cantora acolheu a cidade num show em voz e violão, interagindo com a plateia ao contar sua trajetória profissional e a alegria de estar realizando o show em Guarulhos. “Este show é muito importante para mim, principalmente porque reflete temas muito importantes como racismo, violência contra a mulher e o respeito à diversidade de gênero. O prefeito Guti me confidenciou no camarim, que Guarulhos tem uma população em sua maioria nordestina e que está buscando soluções e aproximação com a população indígena, o que eu acho fantástico”, destacou a artista.

 

Foto: Nícollas Ornelas

O grupo teatral Protótipo, o humorista Rominho Braga, e os cantores Gabriel Delucca e o rapper Emicida também movimentaram o espaço no domingo, 14.

Emicida trouxe para a cidade um show potente com canções conhecidas do grande público como “Passarinhos”, “Zica Vai lá”, “Hoje cedo”, “Axé pra quem é de Axé”, “País do Futebol” e “Mãe”, ocasião onde o artista emocionou os presentes ao homenagear a mãe, Dona Jacira, presente na plateia.

Foto: Fabio Nunes Teixeira

Acompanhando de perto também estava o pequeno guarulhense, Yuri, de 6 anos, que parecia hipnotizado ao ver o ídolo de tão perto. “Eu adoro todas as músicas dele (Emicida). Ei, olha lá, ele vai começar a cantar Madagascar!”, comentou animado.

 

Roberto Leal cantou no Jardim Tranquilidade

As atrações da Virada Cultural no Jardim Tranquilidade se juntaram às comemorações dos 100 anos da Paróquia Nossa Senhora de Fátima. Aproximadamente 300 pessoas apreciaram as noites nostálgicas na praça, revivendo músicas de variados estilos que acompanharam várias gerações.

No sábado, com o sertanejo de raiz, a cantora Maria Angela Zan abriu a festa e animou a multidão. Em seguida, a homenagem da Mamonas Assassinas Cover, a banda relembrou os maiores sucessos e figurinos dos garotos guarulhenses.

Para finalizar, o português Roberto Leal encantou fãs de diversas gerações, e se emocionou com o carinho da plateia. “Eu sou muito feliz por sorrir e amar vocês, hoje é uma noite especial!”, agradeceu o cantor.

No domingo, a praça recebeu uma tarde de samba e uma noite de rock, com o talentoso grupo Legião Urbana Cover, que cantou os hinos da banda lendária em coro com a plateia.

Dança e Pia Fraus animaram o Bosque Maia

Várias atrações animaram as pessoas que passaram pelo Bosque Maia. No sábado (13), as alunas do núcleo do Ciad (Centro Integrado de Atividades Desportivas) e do Adamastor Centro apresentaram a Dança do Ventre. Além dela, o local recebeu apresentações de ginástica acrobática, aulas de samba roque entre outras.
Interação com o publico e risadas foi o que se viu na manhã do domingo (14), durante a apresentação da companhia Pia Fraus. O grupo, que já se apresentou em mais de 20 países, levou ao Bosque Maia, a peça “Gigantes de Ar. Bonecos infláveis gigantes e animais de circo eram representados de forma lúdica: girafas bailarinas, um elefante azul de 4 metros, um leão medroso e um tigre engraçado foram atrações que animaram diversas famílias que foram ao show.

A música também embalou o fim de semana no Cemear – Centro Municipal de Educação e Artes. Os alunos do conservatório da cidade mostraram que são aplicados nas aulas. A atuação durante a Virada foi um dos pontos positivos, demonstrando qualidade e diversidade de estilos musicais.

 

Artistas guarulhenses no Ponte Alta

Os artistas que passaram pelo Centro de Educação Unificado (CEU) Ponte Alta contagiaram o público com músicas de sucesso e trabalhos autorais. Um dos destaques do primeiro dia de festa foi a banda Amintor que, há quase sete anos, tem construído sua trajetória na música. Com 20 canções próprias e repertório todo em português, a Amintor valoriza a língua nativa e leva o rock cristão por onde passa.

A banda Keps, que tem oito anos de estrada e mais de 25 composições autorais, retrata em suas letras situações do dia a dia e experiências vividas pelos compositores. Eles levaram mensagens, principalmente para o público jovem, do quão prejudicial pode ser a vida no mundo das drogas e bebidas alcoólicas.

Para a mãe de um dos integrantes da banda Sludge Hands, eventos como esses são importantes para tirar os jovens das ruas e promover a valorização da cultura. “É preciso que mais pessoas sejam alcançadas e que divulguem mais, incentivem mais, pois ações como essas ajudam no crescimento pessoal e profissional”, explicou Angela de Souza Mello.